domingo, 22 de março de 2015

A REVISÃO DO LIVRO

Imagem retirada do google

Depois de alguns meses de trabalho ali está o resultado do seu empenho: o seu livro está acabado. E agora?
 Ah, revisão! Aquele processo que quase todos os escritores detestam, mas que é fundamental, mesmo para quem vai tentar a sorte nas editoras convencionais. Confesso que também não era a minha parte favorita do processo de escrita, mas aprendi a gostar e hoje divirto-me imenso quando faço a revisão, é como se estivesse dentro da história, não como escritora, como leitora. A parte mais difícil já está concluída, é uma primeira versão do livro. Podemos dizer que é uma versão tosca e a precisar de ser retocada em vários sentidos.

Se acabou o seu romance deixe-o repousar várias semanas antes de o trabalhar outra vez. Distanciar-se do que escreveu permiti-lhe ver os erros, as incongruências de datas e até de nomes, e outros aspectos que numa segunda leitura vai perceber melhor.
Se publica na amazon (como eu) descarregue o template formatado da plataforma da createspace.com com o formato (6x9) o mais usual e que deixa um livro bem atractivo e transfira o ficheiro Word onde trabalhou para o template. Faça  as revisões a partir desse documento. Não se esqueça que tem que formatar outro ficheiro para a versão Kindle, as versões da createspace não costumam dar bons ebooks, desformata o texto e dá um livro de má qualidade.

Pronto para começar a revisão? Vamos a isso! Atenção que esta é apenas a primeira revisão que pode ser feita no ficheiro definitivo para a amazon.
Comece a ler e veja se as frases estão bem construídas; emende os erros; veja se não há outra forma mais simples de descrever alguma cena; marque os lugares que fazem você rir ou chorar. Confesso quando fiz as revisões de Anna e Gabrielle, chorei. Marque onde você está entediado ou confuso ou onde as palavras são repetidas e muito juntos e modifique o texto.
Observe se muitas frases começam sempre com a mesma palavra e substitua por sinónimos; se não há descrição insuficiente ou excessiva dos lugares e paisagens, ou se você tem poucos diálogos.
Veja se você usou palavras excessivas. Utilize parágrafos curtos, ninguém tem paciência para ler um parágrafo com dez linhas.
Chegou ao fim da primeira revisão? Guarde o texto mais uma semana e volte a fazer o mesmo processo, vai verificar que encontra sempre erros e frases que pode modificar, isto quando não tem que incrementar as personagens ou acrescentar/tirar algum aspecto. Corte o que não é necessário. Se pode explicar em cinco palavras não use vinte, isso torna-se massador para quem lê. 
Volte a fazer o processo pelo menos três vezes. É aborrecido? Pois é, a menos que você possa pagar a um revisor (é muito caro), tem mesmo que o fazer.
Se você tem amigos em cuja opinião confia, este é um bom momento para lhes pedir que leiam e façam uma revisão ao texto. Imprima o texto e peça a um amigo que assinale os erros, e as áreas que não estão perceptíveis.

Volte a rever o texto e veja se há buracos no enredo, se os capítulos tem mais ou menos o mesmo número de cenas, se está a desvendar o mistério cedo demais, se as cenas são demasiado paradas e não acrescentam nada ao enredo, se os personagens estão bem construídos de acordo com a biografia que fez previamente; e corte todas as palavras que não fazem falta.
Se passadas algumas semanas de todo este trabalho, você ler o seu romance e se divertir com a leitura, provavelmente as outras pessoas também se vão divertir e o livro está pronto para ser lançado nas plataformas que você quiser. Ou quem sabe concorrer a algum prémio literário se achar que tem qualidade para isso.




sexta-feira, 13 de março de 2015

O ponto de vista na escrita criativa


Seleccionar o ponto de vista do narrador é uma das decisões mais importantes a tomar, antes de começar a escrever um romance. Existem três possibilidades: o narrador na primeira pessoa (um “eu” conta a história do ponto de vista da personagem), o de segunda pessoa (é muito raro) e o de terceira pessoa (o mais comum). Destas três hipóteses o narrador na primeira pessoa é talvez o que mais envolve o leitor, sobretudo quando é também o protagonista da acção. Nestes casos, sofre-se, ri-se ou sonha-se com a personagem. O leitor consegue vestir a sua pele. O narrador na terceira pessoa, o mais comum, pode adoptar o ponto de vista de várias personagens ao longo do romance e, podemos afirmar que é quase omnipotente.
Mas como encontrar um estilo próprio? Será possível resistir à influência dos seus escritores preferidos, aqueles que você admira e leu todos os seus livros? Quando se começa a escrever é natural tentar uma imitação, mas ao fim de algum tempo se o escritor não se libertar dessa amarra, não consegue criar o seu próprio estilo. Portanto não despreze os seus escritores favoritos, aqueles com que aprendeu a arte, mas vire-lhes as costas no bom sentido e seja você próprio. Isso não significa deitar fora os autores que ama. Respeite-os escrevendo da melhor forma possível: sendo você próprio, no seu estilo.
É certo que todos os escritores tem um modelo que seguem, a originalidade é algo que é discutível, cria-se através do vemos e lemos, e não há mal nenhum em ter um estilo mais parecido com este ou outro escritor, é diferente de copiar o estilo do outro. Outro preconceito que existe é precisamente o da originalidade. Há quem olhe os escritores de romances como se fossem um estilo menor da literatura, sobretudo se forem histórias de amor. E quem mal tem uma boa história de amor? Nenhum é claro. Portanto se escreve romances não ligue a pretensos seguidores de Saramago ou outros do género ( a quem prezo muito) que dizem que andam todos a escrever o mesmo ( os escritores de romances), porque se escreve o que gosta, decerto haverá quem o leia. Boa escrita.


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domingo, 8 de março de 2015

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


História do 8 de março

No Dia 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de Março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Objectivo da Data

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objectivo é discutir o papel da mulher na sociedade actual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.

Deixo-vos aqui um livro ao qual já fiz referência e que fala da luta das mulheres operárias. Um livro da escritora Kate Alcott. 



sábado, 7 de março de 2015

Dez coisas a saber sobre a personagem principal.

"As palavras que nunca te direi" de Nicolas Sparks

Quando o leitor pega num livro para decidir se o compra, em primeiro lugar vai tentar saber qual é o tema da história e quem é a personagem principal. Só depois de vislumbrar – porque se trata apenas de um pequeno vislumbre – é que toma uma decisão. Muitas das críticas que tenho lido nas lojas da amazon, prendem-se quase sempre com enredos mal construídos e personagens fracas. Os leitores não perdoam, se gostam compram e fazem boas avaliações (entre 3 estrelas e 5), se não gostam dão 1. Acontece que já vi críticas que apenas destilavam fel, sem qualquer tipo de argumento válido. Há quem goste de destruir, no entanto convença-se que não vai só obter críticas boas e, se tiver algumas menos boas, também é sinal para o comprador futuro que elas são autênticas. Mas este post não é sobre críticas, é sobre a personagem principal do livro. Em primeiro lugar deve construir pelo menos um minibiografia da personagem principal, deixando em aberto futuras inclusões de características de personalidade. Seja fiel ao que pensou para a personagem, e para ter a certeza que ela corresponde aquilo que pensou e que os leitores vão entender quem é ela, socorra-se sempre dos leitores beta. O site Wattpad é óptimo para ter feed back sobre os seus livros. Deixo-vos aqui alguns pontos importantes sobre a personagem e que devem ficar claros no livro.

1. Quantos anos têm a personagem? E quantos anos ela possui mentalmente? Ela é uma mulher de 40 anos no corpo de uma garota de dezasseis anos de idade, ou vice-versa?)

2. Ela teve uma infância feliz? Por quê? Não. Por que não?

3. Passado / presente. Relacionamentos? Como a afectaram?

4. O que ela gosta? Quais são os seus hobbies?

5. A personagem está obcecada com alguém ou alguma coisa?

6. Qual o seu maior medo?

7. Qual foi a melhor coisa que já lhe aconteceu? E a pior?

8. Qual a coisa mais embaraçosa que já lhe aconteceu?

9. Qual o seu maior segredo?

10. Qual a palavra ou palavras, que melhor definiriam a personagem.

Não se esqueça que o leitor adora personagens fortes que possa amar, mas também odiar. Boa escrita. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O que é que o impede de escrever?


Quando comecei a aventura da escrita, estava convencida que só publicando numa editora convencional conseguia vender livros e ser uma autora conhecida. Hoje, passado mais de um ano de ter publicado o meu primeiro titulo na amazon, em português, já vendi algumas centenas de livros para paises como a Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Portugal, França, Canadá, Japão e a maioria para o Brasil. Mais internacional não podia ser. Claro que estou a ironizar. 
Mas, preparo-me para novas aventuras, no final de Março, dois dos meus romances vão estar disponíveis em língua inglesa e, em breve serão traduzidos também para espanhol. A auto - publicação veio para ficar e possibilita a muitos autores que viram o seu sonho deitado por terra por receberem, dia após dia, recusas das editoras para onde enviaram os seus manuscritos, ou até, nunca receberam qualquer resposta, concretizarem-no. Pessoalmente aventurei-me logo na producão independente e não estou arrependida. 

Portanto o que é que o impede de escrever? Nada, só você. Por isso mais à obra.
O que precisa para escrever?

Em primeiro lugar vontade. Depois desenvolver competências de escrita, tais como técnica, gramática, e como se escreve um livro dentro do género com o qual se identifica. 
Para além de poder fazer um curso de escrita criativa online ou presencial, pode, acima de tudo, estudar sozinho. Fiz um curso de escrita criativa online, onde aprendi os rudimentos da construção frásica e a seguir entendi que não valia a pena gastar mais dinheiro com uma competência que só eu podia desenvolver. Por mais cursos que façam, ninguém vos vai escrever por vecês, então, toca a estudar. Há dezenas de livros que ensinam a fazê-lo. Passei e ainda passo horas a investigar sobre escrita, publicação e marketing.  A própria amazon lança para o facebook todos os dias dois textos de autores autopublicados com dicas de escrita. 
O truque para escrever bem é escrever, escrever e escrever. E depois fazer revisão muitas vezes, ou então pedir a alguém que o faça por si: um familiar ou amigo com competências de escrita, ou de preferencia, alguem que esteja ligado a si por laços afectivos e possa ser muito sincero consigo. Por mais que custe ouvir algumas criticas, acredite que elas são um bom empurrão para a sua escrita. Uma das editoras que está a trabalhar num dos meus romances, fez-me uma anotação numa página, sobre uma frase que pretendia ser uma piada de humor negro, mas que ia resultar numa ofensa a um povo, portanto um assunto delicado. Aquilo custou ler, mas doeu mais eu nem ter precebido no que é que aquela frase podia resultar. Ela disse simplesmente " desculpe, a sua história é muito interessante, estou a gostar, mas se eu encontrasse uma frase destas, num livro, ia fechá-lo e não o abria mais. Tomei a liberdade de perguntar a uns amigos editores o que fariam e eles responderam o mesmo." Estou muito agradecida à minha editora e tradutora pela sinceridade embora fosse dura comigo. 

Mas não preciso de uma boa estória para escrever um livro?

Precisa. Mas pode começar por um livro pequeno.

E como é que consigo uma boa estória? Fácil. Leia, leia e leia. Não quer isso dizer que vá copiar o que os outros escrevem, isso seria plágio, mas só lendo muito consegue encontrar inspiração para escrever e até para perceber como outros o fazem. Você consegue um bom tema se olhar à sua volta. As pessoas gostam de livros que falem de pessoas comuns e que transmitam valores.  Refiro, como exemplo a minha autora preferida Lesley Pearse. Ela escreve sobre pessoas comuns, com grandes dramas de vida e que conseguiram sobreviver. Esta é uma grande fórmula para quem gosta de romances dramáticos. Eu gosto. 

Outra fonte de ideias podem ser jornais e revistas, lá encontrará temas que podem dar um bom romance. 

Então o que é que precisa para escrever? 

Um computador ou similar porque estamos na era do digital, mas caso não tenha, pode sempre escrever à mão. Há muitos autores que ainda o fazem. Mas, acima de tudo, precisa de vontade e muitas horas de trabalho, a ler, estudar e a escrever.

 Boa escrita e não se esqueça que eu também sou uma autora. Pode ajudar-me a crescer como autora consultando a minha página de autora na amazon e comprando os meus livros. 

Se quiser dicas sobre autopublicação entre em contacto comigo através do email ou assine a nossa newsletter em cima à direita. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A Família Sogliano - Sveva Modignani

Sveva Casati Modignani, não precisa que uma escritora independente, como eu, lhe faça publicidade. Então porque é que eu trouxe para aqui este livro? Porque me trouxe à memória boas lembranças. Não é isso que nos faz reter a informação até à eternidade? É sim. Um facto associado a uma emoção grava para sempre o acontecimento na nossa memória. 
 Pois bem, o que me chamou a atenção neste livro ( para além da capa) foi a sinopse. A sinopse fala de um romance passado em Torre del Greco, uma cidade a alguns quilómetros de Nápoles, na encosta do Vesúvio, junto ao Mar Tirreno e, uma das zonas mais bonitas que eu já tive o previlégio de conhecer. É a história de uma família abastada, da cidade, com segredos, emoções e conflitos. 
Era o ano de 1998 e parti para o Sul de Itália, em trabalho - um daqueles trabalhos que são só lazer- uma visita de estudo, com um grupo de jovens e três técnicos, a Torre Del Greco, durante duas semanas, num intercâmbio com um grupo congénere ao nosso. Voltando ao livro, fiquei deliciada com a descrição da família e das gentes de Torre e, sobretudo do mundo do coral. Torre vive essencialmente da indústria do coral. Colares, brincos, pregadores, todo o tipo de jóias que possam imaginar, são possíveis de fazer com o esqueleto desse animal. Mas, outro aspecto muito retratado no livro é a forma de ser das gentes de Torre. Gente altiva numa primeira abordagem, mas que, desfeita a primeira impressão, são do mais amável que se possa querer. Na época em que lá estive, vivia-se muito o espectro da máfia e sentia-se na forma de ser das pessoas a pressão.  
Fica aqui o registo de um livro, que estou a adorar ler ( ainda me faltam algumas páginas) e que é um romance de família, com um enredo bem construído e que foge ao vulgar, a personagem principal não é uma jovem, é uma mulher madura de cinquenta anos e que nos traz os anseios e as vivências dessa idade, numa trama curiosa e que suscita muita curiosidade. Recomendo. 

Por último queria lembrar-vos que também sou escritora e que me podem ajudar  a crescer e a chegar mais longe, divulgando ou comprando os meus livros. 
FIQUEM ATENTOS AO VOSSO MAIL, NO SÁBADO DIA 20 HÁ PROMOÇÃO DE DOIS LIVROS AO PREÇO MÍNIMO. 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Não tem tempo para escrever? Faça a gestão do seu tempo.


A gestão do tempo é absolutamente fundamental para alcançar o sucesso na escrita independente e no resto de sua vida também. O tempo é o grande equalizador: todos nós temos 24 horas em apenas um dia e, se não o aproveitarmos torna-se difícil escrever. Os escritores independentes, quando começam, não vivem da escrita, só passado algum tempo e se os livros tiverem qualidade, ou seja, se tiverem um bom plot, escrito numa linguagem simples, sem erros e com uma capa atractiva é que consegue vender. Mas, ainda vai demorar algum tempo até o público começar a ter curiosidade sobre os seus romances. Todos os escritores, mesmo os profissionais, fazem o melhor uso do relógio para a gestão do seu tempo. Há dias um colega escritor perguntou-se como é que eu arranjo tempo para escrever, uma vez que trabalho noutras duas profissões, dou aulas de manhã quatro dias por semana e trabalho em consultório todas as tardes, e tenho família. Bom, é uma gestão de tempo complicada, mas fiz opções. Escrevo e leio pelo menos uma hora por dia e, a manhã de quarta-feira é inteiramente dedicada à escrita. E todos os poucos momentos que tenho livres durante o dia aproveito para trabalhar em ideias que me surgem e aponto-as num bloco que me acompanha sempre.

 A grande questão é o que vai fazer com o seu tempo para poder escrever?

 Comece por pensar como é que gasta seu tempo – quando escreve e com que intensidade o faz – a forma como se dedica à escrita vai determinar se você tem uma boa gestão de tempo. Não tem tempo para escrever e fica frustrado? Se pensar bem, vai encontrar mais de uma hora por dia desperdiçada como por exemplo em frente ao televisor, no café, a preguiçar, a dormitar… Melhore as suas habilidades de gestão de tempo e facilmente gera uma hora extra por dia, mais provavelmente 2 ou 3 em que consegue escrever. O que você poderia escrever se durante a semana arranjar cerda de 10-15 horas? Talvez o romance que tem planeado há tanto tempo e vai adiando sempre por falta de tempo. 

 Aqui está o que você pode fazer para arranjar tempo extra: 

1. Comprometer-se consigo próprio e esquematizar o seu dia-a-dia com um plano. Parece uma coisa um pouco obsessiva? Pois parece, mas quem não tem um pouco de obsessividade não realiza nada, fica pela inércia. Decida melhorar continuamente as suas habilidades de gestão de tempo. Quanto melhor gere o seu tempo, melhor se sente na vida e realizado enquanto escritor.
 2. É importante criar objectivos claros e realistas.

 Ser verdadeiramente bem-sucedido na vida requer que você faça o máximo em cada momento que você está vivo, que persiga os seus objectivos importantes. Se decidiu que vai escrever um romance durante três meses, cumpra o objectivo. Escreva sem medo durante todo o tempo que estipular para o efeito. Mas, veja se o prazo que estabeleceu é realista, porque pode ser apenas a sua vontade de terminar depressa que está a funcionar. Um limite de 500 palavras por dia, para quem combina a escrita com outras actividades é realista. Um objectivo de 3000 palavras por dia para quem tem outra actividade é irrealista e só vai contribuir para que se sinta frustrado. Mas, não se foque apenas na escrita, fazer outras actividades é de suma importância para a vida de qualquer escritor. Brincar com os filhos, alimentar-se, ir ao cinema, à praia, passear, viajar também são de igual importância, entre outros aspectos pessoais e que dizem respeito a cada um.

 3. Despenda o seu tempo em coisas mais importantes
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 Concentre-se em tarefas mais importantes e não permita distrair-se com itens menores e preocupações triviais.
 4. Concentre-se na tarefa que têm em mãos 

 Quando está a fazer uma tarefa faça só isso até terminar. As mulheres têm tendência a distrair-se por inúmeras tarefas pelo facto de terem uma atenção divida. Já os homens, por terem uma atenção selectiva concentram-se muito mais numa só actividade. Dê o que você faz a sua atenção e o empacotamento completo de seus recursos físicos e mentais. Na maioria dos casos a multitarefa é ineficiente, especialmente quando você está escrevendo. Coloque como objectivo terminar a tarefa. Pensou em escrever três páginas de um capítulo? Então termine-o.

 5. Mantenha a sua saúde É vital cuidar de sua saúde. Comer bem, beber bastante água, dormir o suficiente, e tomar todas as medidas necessárias para manter um elevado nível de saúde mental. Quando você se sente bem, você faz tudo mais rápido e melhor. 

6. Decida que tipo de coisas não vai mais fazer na sua vida.

 Qual dos seus hábitos vai roubar tempo à escrita, prejudicar a sua saúde ou qualidade de vida? Para muitas pessoas, várias horas entorpecendo em frente à televisão todas as noites, pode ser um desperdicio de tempo. Outros comem alimentos não saudáveis que drenam a sua energia. Somos o que comemos e, se comer uma refeição pesada vai ter sono e a vonte de escrever e a creatividade desaparecem.  Identifique esses desperdicios de tempo e vida e pare de fazê-los.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Conselhos aos autores independentes

As publicações de autores independentes são a maior fatia de vendas das principais plataformas de auto-publicação ( Amazon, Barnes&Noble) que vieram possibilitar a centenas de autores que viram recusados os seus trabalhos pelas editoras tradicionais, realizar o seu sonho. Mas, nem tudo são facilidades e, só quem apresenta qualidade consegue singrar no meio. 
  • Em primeiro lugar tem que apresentar uma história e um texto bem escrito, nada pior para um autor que apresentar erros, por isso, reveja dez, vinte vezes o seu têxto, ou arranje um revisor ( é um serviço caro), ou, peça a alguém de confiança que lhe reveja o livro. 


  • Em segundo lugar, tenha noção que os olhos são os primeiros a "comer" o livro e, se a capa não for atrativa, o leitor não lhe vai pegar. Se domina os programas Ilustrator, Photoshop, poderá efectuar uma boa capa. A plataforma da Creaespace contém todas as explicações  em inglês de como efectuar a capa por sua conta. Ou contrate um bom designer de capas, que lhe crie um tipo de capa pela qual o leitor passe a identificar os seus livros. Todos os autores têm um tipo de capa. 


  • Em terceiro lugar crie uma página de Facebook, Twiter, Pinterest...onde possa anúnciar os seus livros e interagir com os seus leitores. Não venda os livros, anúncie, aos poucos, conquista leitores que vão trazendo outros. 


  • Faça amizades com outros autores independentes com quem possa partilhar esta dura tarefa de ser escritor independente. Os colegas escritores independentes, não são seus concorrentes, são aliados. Foi com a generosidade da escritora brasileira Cristina Pereyra que eu aprendi sobre a autopublicação. 


  • Se escreve em português não tenha ilusões sobre o número de livros vendidos. A amazon só existe em português do Brasil e a percentagem de livros vendidos é muito baixa. A percentagem alta de vendas de autores independentes acontece na amazon americana e inglesa. 


  • Quer vender livros como autor independente? Traduza para outras linguas, sobretudo para inglês. É caro? É sim, mas existem outras possibilidades. Procure nas plataformas online de freelancers. Há profissionais a fazerem a tradução por preços bem acessiveis, mas...há sempre um mas...no final a revisão tem que ser feita por um nativo da lingua, senão arrisca-se a que as expressões idiomáticas sejam autenticas anedotas e, isso será mau para o escritor. 


  • Um escritor independente, vive de vendas e de criticas. Prepare-se para ter criticas negativas. Todos têm. É a garantia que as suas criticas são genuinas. 


  • E, por último, se é autor independente e conseguiu sucesso com um livro, saiba que tem que continuar a escrever para replicar o fenómeno. Ainda não é um fenómeno ( agora estou a brincar), continue a escrever de igual forma. Só publicando pode ver o seu trabalho reconhecido. Há autores independentes que vivem da escrita, em quase todos os países. 

domingo, 25 de janeiro de 2015

Novas aventuras

Depois de um ano de publicações em Português comecei a pensar em traduzir os meus livros para outras linguas para poder alcançar um maior número de leitores. O primeiro livro a ser traduzido foi "Brincos de Princesa" e será publicado em inglês no principio de Fevereiro, esperamos com esta tradução ( eu e a a Zoom Mind artes digitais, a empresa que me está a ajudar) chegar ao mercado inglês e americano. Está também colocada a hipótese de traduzir para Espanhol. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

De que falam os escritores?

Quando comecei a escrever todas as pessoas me perguntavam sobre que escrevia e, sempre que dizia que escrevia romances que contassem uma história de vida, havia sempre um sorriso ou outro, como se fosse um género literário menor. No entanto, quase todas as pessoas que conheço os lêem. Outros, colegas escritores que pretendem marcar a diferença no mundo literário, dizem com alguma arrogância que «eu não escrevo romances, andam todos a escrever o mesmo», mas no entanto é isso mesmo que fazem, tentam é dar-lhe um ar intelectual, sempre tentanto imitar génios como Saramago, Tolkien...e por aí fora que a lista não teria fim. 
Assumo que gosto de ler e escrever romances. Os escritores escrevem sobre aquilo que sabem e é o que faço. Se existisse uma categoria literária " estórias de vida", seria aí que me encaixava, mas não deixaria de ser um romance. Parafraseando um escritor inglês que colabora com a Createspace na ajuda aos autores indie, também que não tenho pretensões a mudar o mundo, escrevo porque gosto de seguir o desenvolvimento das minhas estórias e dos meus personagens e, há quem me leia e goste. 
Se eu acho que os escritores mudam o mundo? Sim acho, mas não serão todos e, eu não sou esse tipo de escritora. Escritores escrevem sobre o que sabem, embora em todos os géneros literários, se quiserem fazer um trabalho sério, tenham que pesquisar bastante sobre o tema que escrevem, no entanto há escritores que pelo conhecimento e genialidade que possuem deixam um autentico legado de obras que se destinam ao aparelho pensante do homem, pretendem e conseguem mudar mentalidades.  
Os meus livros, são livros de entretenimento embora alguns deles falem de assuntos sérios da aréa da psicologia, a minha profissão. A minha inspiração para escrever vem do conhecimento que possuo sobre as motivações humanas, sobre o comportamento social e psicológico do ser humano e pretendo sempre deixar qualquer coisa para pensar. Em ANNA e GABRIELLE, abordo o tema do incesto, em BRINCOS DE PRINCESA falo da condição da mulher muçulmana e da loucura dos homens, e em SONHOS ADIADOS, abordo as doenças sexualmente transmissíveis e as relações amorosas. Falo de pessoas, alegrias, tristezas, mudanças de vida, perdão, lutas internas, e viagens. 

sábado, 17 de janeiro de 2015

Escolha dos cenários

Foto da autora ( Maiorca)
Quando pensamos num livro, pensamos nos cenários, porque ao ler, o leitor faz uma viagem também. Quantos livros já leram que vos proporcionaram viagens de sonho, mesmo nunca tendo estado nos sitios descritos pelo autor?

Os cenários, tal como os personagens marcam o livro e ficam gravados na nossa memória. A memória é selectiva e guarda a informação pela importância que tem para a pessoa. Se eu gostar de determinado país, absorvo tudo o que oiço ou leio sobre ele. Se me vierem com uma descrição de um quadro abstracto, pois de certeza que não vou reter nada, porque simplesmente não aprecio. Nos cenários das cenas dos livros é a mesma coisa. Uma vez uma leitora do Wattpad disse-me que a forma como eu descrevi o Dubai prendeu-a até ao fim do livro. Conheço o Emirado pelo que apenas conduzi os leitores pelos sítios através dos meus olhos. É assim que os escritores fazem. Elisabeth Adler é magistral na forma como o faz, todos os livros dela contêm belos cenários que nos fazem sonhar.

 Lembro-me do livro de Lesley Pearse, Segue o coração e da descrição que ela fez da pradaria do norte da américa, no trilho do Oregon, das montanhas e do rio e ainda as revejo mentalmente como na época em que li o livro.

Mas como é que escolhemos os cenários? Simples. A internet é uma óptima ferramenta para escolher cenários, bem como a experiência do escritor. Pessoalmente gosto de usar os lugares e países que conheço, para localizar os meus romances. Vou dar-vos o exemplo do meu próximo livro no qual estou a trabalhar ainda o Plot e o desenvolvimento da história, personagens e organização do romance por capítulos. Precisava de um sítio descontraído e fora de Portugal (escolhi Maiorca, ilha que conheço bem) e de uma casa antiga em Maiorca que pudesse utilizar para as cenas do livro. Recorri à internet e seleccionei uma casa com 150 anos, recuperada, e que está à venda. Gravei as imagens para poder usar quando fizer a descrição das cenas. Claro que se mantém sempre o anonimato quando ao imóvel, para evitar confusões com os proprietários, ou, caso tenhamos a autorização, quem sabe até se os proprietários vão ficar orgulhosos de terem a sua casa a servir de cenário para um livro. Cada escritor encontra a melhor forma de conseguir os seus cenários, mas acreditem que todos o fazem. Podemos sempre imaginar um cenário, mas se não se trata de um livro de fantasia, convém não inventar cenários pouco reais, isso descredibiliza o livro e o escritor. Força nesses dedos e boa escrita.   

sábado, 10 de janeiro de 2015

Elisabeth Adler - Casamento em Veneza e outros livros

Descobri esta autora há muito tempo nas prateleiras das livrarias, mas só há poucos meses resolvi pegar num dos livros e comprá-lo. O primeiro que li foi "Casa de Campo" e apesar de ter gostado do enredo, não fiquei deslumbrada com a história. A autora tem um escrita muito fácil de ler sem demasiado simplista. Constrói bem os enredos e não usa cenas de sexo muito ousadas, mantêm o leitor a imaginar o que se poderá passar sem descrever na integra. 
De seguida li "Regresso a Itália" e rendi-me. A trama da história é interessantissima, as personagens fortes, bem construidas e cativantes e a compulsão a ver o que vem a seguir, faz-nos ler o livro de rajada. Mas, o que mais me fascinou foi a forma como mistura a paisagem dos locais com o desenrolar da acção. Este livro, especialmente por ser passado no sul de Itália ( que conhecço bem) fascinou-me por completo. Recomendo. 
Acabei há dias de ler "Casamento em Veneza" e foi outra surpresa muito agradável. Um enredo digno de policial misturado com um romance que parecia obvio mas que a seguir muda o sentido por completo, tudo isto passado nos cenários de Xangai, Paris, Mónaco, Veneza e Carolina do Sul nos USA, foi fantástico. 
Gostei tanto da escrita da autora que já estou a ler " Viagem a Capri" que se está a revelar fantástico também. Sem dúvida uma autora a ler, e, quem imagina que são livros de cordel, engana-se, são histórias fascinantes, ou não fosse uma das autoras mais lidas no mundo. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Livro "MEUS PAIS, MEUS ESPELHOS"



Hoje venho apresentar-vos o meu outro livro,escrito com o meu nome. O livro é o resultado de um projecto feito há alguns anos, com mães, num Centro de Saúde e que tinha como objectivo sensibilizar os pais e mãe para algumas etapas da vida emocional da criança muitas vezes desvalorizadas. O livro é curtinho, tem quarenta páginas e contou com a prestimosa colaboração da pintora Isabel Aldinhas que fez 10 aguarelas que ilustraram o projecto e mais tarde o livro. Os originais das aguarelas estão na sala de espera do meu consultório. O livro fala da importância do olhar materno, como espelho da criança, do desmame, do treino do asseio, das birras, da fase exploratória...etc. 
O livro é apresentado no ponto de vista da criança, que conduz os pais pela forma correcta de actuar. 
O livro existe em versão papel e em ebook na amazon. 


Trecho do Livro

"Olá! Sou o Salvador. Estou ao colo da minha mãe. Ela olha para mim e eu olho para ela. Assim apreendo o amor dela, e vou percebendo quem sou, que existo. Quando ela me olha é como se me visse nos olhos dela…se ela não olha para mim, faço qualquer coisa para ela o fazer. Faço caretas com a língua, olho muito para ela e sorrio, sim eu nasci há dias mas já respondo aos sorrisos da minha mãe.
- Ufa! Ela já olhou…que bom!
 - Mas às vezes não preciso de fazer nada, ela passa horas a olhar-me…gosto tanto. É uma boa mãe! E quando vem o pai, ainda gosto mais…é diferente…é outra voz, também me embala e sorri para a mamã. Os meus pais estão muito felizes com a minha chegada. Sei que vou ser uma preocupação para eles, mas sinto-me tão amparado que vai tudo correr bem. A mamã por vezes ainda fica aflita quando me dói a barriguinha, são os meus intestinos que se estão a habituar ao leite materno, mas logo vai passar. Os meus pais conversam muito comigo, faz-me bem ouvir vozes humanas, é assim que aprendo a linguagem, desde que nasci que oiço as vozes deles e já as distingo. A minha mamã já me entende muito bem, percebe os meus diferentes tipos de choro: tenho fome, tenho frio, tenho calor, tenho sono, estou cansado – sim, os bebés também se cansam-, tenho a fralda suja. Quando tenho fome ela aproxima-se de mim e diz:
- Oh meu querido Salvador! Já sei que tens fome, vamos já tratar de ti. Depois de mamar o quanto eu quiser, ela muda-me a fralda e eu fico tão confortável que durmo de imediato.
Por vezes também já faço umas birras para chamar a atenção, ela percebe e não corre logo – deixa-me chorar um pouco, muito pouco-, e só depois vai perguntar o que eu tenho. E, ela sabe logo:
- Queres colo não é meu querido?
E lá vou eu para o sítio onde me sinto mais seguro: para os braços dela. Quando estou acordado quero ficar junto da minha família. Se ficar muito tempo sozinho assusto-me."


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Leitores Beta

Quando se fala de autores independentes, temos que falar necessáriamente em leitores Beta. Porquê? Porque ao contrário dos autores que publicam nas editoras convencionais, não têm quem faça uma primeira apreciação dos seus escritos. O leitor Beta é o leitor lhe vai dar feed-back  de uma forma honesta, seguindo alguns parametros.
  • Compreensão da trama, e se tem uma história que prende o leitor
  • Se tem buracos no desenvolvimento do seu romance
  • Se há desfazamentos temporais
  • Se há erros históricos ou alguma descrição desadequada
  • Se tem muitos erros gramaticais
  • Se tem excesso de palavras desnecessárias ( isto se você pedir, caso contrário não fazem)
  • Se o final é coerente com a história...
  • O que é que ele ou ela, leitor Beta, sentiram quando leram o livro. 
É fácil encontrar leitores Beta? Não, não é. 
Então como é que os autores independentes devem fazer para terem um primeiro feed-back sobre os seus trabalhos? 
Devem encontrar um grupo de leitores e escritores que o ajudem nesse sentido. Há plataformas para leitores e escritores, como a Wattpad, em que se pode inscrever e os leitores vão tendo acesso aos seus livros e deixando os comentários. Não são leitores beta porque vamos criando uma relação com essas pessoas, mas ajudam a perceber o sentido e a aceitação do livro.  
Esses leitores são verdadeiros? 
Na sua maioria sim, é dificil arrancar comentários, sobretudo não sendo da nacionalidade da maioria dos falantes da lingua, mas há leitores que se entusiasmam com a história e acompanham até ao fim. Pessoalmente tenho uma boa experiencia com a plataforma do Wattpad, e só não tenho maior interação por falta de tempo para ler obras de outros autores. Quanto mais  interagir com outros escritores, maior será o numero de respostas que terá. Quando escrevi o meu primeiro livro, uma das leitoras chamou-me a atenção para um buraco na trama e para a discrepencia das idades, e, essa "critica" foi extremamente util. Todos sabemos como é dificil desligarmo-nos do que escrevemos e detectar os erros sejam de que tipo forem, desde gramática, expressões usadas demasiadas vezes ou falhas no plot. 
Atenção, familia e amigos ( a não ser que sejam muito sinceros mesmo) não servem de leitores Beta. 

Boas leituras e escritas e quem escreve busque os seus leitores Beta. 


sábado, 3 de janeiro de 2015

Só escrever, ou escrever e ler?



Onde vão os autores buscar tanta inspiração que lhes permite criar personagens de todo o tipo de seres humanos e outros menos humanos, tais como elfos, libisomens, lobos, vampiros e por aí fora. Ora bem, em primeiro lugar a criatividade é algo que se estimula. Mas como? Lendo, lendo, lendo. Quem não lê, seja lá o que for, não desenvolve o pensamento e por conseguinte a criatividade. 
Stephen King, no manual Escrever: Memórias de um Ofício, afirma de forma peremptória que « Se você não dispõe de tempo para ler, então também não tem o tempo nem os instrumentos para escrever». Correcto e afirmativo. Devorem os clássicos e as obras mais recentes; os volumes premiados e os que vendem mais. Perceba o que faz aquele género vender mais e o outro não, mas atenção, não vá escrever num género literário, só porque vende muito, é necessário que se sinta bem a escrever esse tipo de texto. Todos os autores lêem outros livros idênticos, comparam, vão tirar ideias, comparam estilos de escrita, etc. 
Pessoalmente escrevo tanto como leio. Por mês devo ler em média três a quatro livros de mais ou menos 400 páginas cada, e, muitas vezes, arranjo forma, de desbloquear alguma cena que está dificil de escrever. 
Pode um romance incendiar a imaginação do leitor? Sim claro. A biblioteca de um escritor deve ser a mais completa e perigosa arma para alimentar a fantasia. Leia, releia, rabisque os livros e dobre páginas se isso for confortável para si, mas se quiser escrever, use e abuse da leitura em primeiro lugar. 
Como Jorge Luis Borges SEMPRE IMAGINEI QUE O PARAÍSO FOSSE UMA ESPÉCIE DE LIVRARIA, desde que tinha mais ou menos dez anos e passei a devorar livros, desde Hans Christien Andersen, até ao Vermelho e Negro de Stendhal. 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Escrita criativa- personagens egoístas e arrogantes.


   Não há romance que não tenha um personagem antipático, ou muito arrogante, mas que consegue manter a atenção do leitor. Ele tem qualquer coisa que nos deixa presos e a querer saber mais. Dou como exemplo o personagem masculino da saga familiar “ Anna” e “Gabrielle” que é detestável, mas possui um conjunto de características que nos faz gostar dele. Quando estava a escrever o primeiro livro, pensei transformá-lo num homem diferente (mas isso seria alterar o rumo do romance), pela simpatia que irradiava em conjunto com toda a personalidade perversa. Não vou revelar mais, poderão ver por vocês quando os livros saírem.
Truques para manter o leitor interessado se o personagem principal é egoísta, rude, perverso…
·         O personagem ter amor a alguém (pode até ser um animal) ou alguma causa em especial. As ligações a animais funcionam muito bem para personagens antipáticos.

·         Se o personagem é estúpido, idiota, mas gosta de alguém, pode ser uma pessoa idosa, prende o leitor pela compaixão.

·         O personagem é mau, mas tem dúvidas sobre as suas acções e ao longo do livro os remorsos começam a surgir. Como leitora adoro personagens desse género.

·         O personagem tem todas essas características menos simpáticas, mas o escritor deixa em aberto o decorrer da acção e o personagem é imprevisível e subitamente começa a fazer boas acções, ou a ser mais simpático. Dou como exemplo a personagem masculina do romance “Sedução irresistível “ de Elizabeth Hoyt, que era arrogante, desfigurado pelos traumas de guerra, chegava a ser mau, mas deixava adivinhar que qualquer coisa ia mudar nele. Era impossível não gostar do Alistair. Outro exemplo, para quem se lembra de "E tudo o vento Levou", é Reth Butler, o personagem masculino, rude, grosseiro e quase detestável, mas que grangeou a simpatia do leitor e no cinema do público. 

·         O personagem é mau carácter mas está em perigo e isso entusiasma o leitor.

·         O personagem é muito mau, mas os outros são muito piores, o que faz com que o leitor simpatize com ele.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Plataformas de auto-publicação


A revolução digital veio para ficar, e a auto-publicação também, possibilitando a milhares de escritores pelo mundo fora realizarem o seu sonho. O fenómeno do e-publishing, ou "auto-publicação" ganha diariamente novos adeptos e existem muitos casos de sucesso que dispensam as editoras convencionais. Muitos escritores desistiram de enviar manuscritos para editoras sem obter qualquer resposta, ou em muitos casos serem convidados a comprar os próprios livros para depois ficarem entregues a si próprios na publicidade venda. Com a evolução da era digital, o filão da "ficção digital", até então refúgio de escritores iniciantes e amadores que escrevem exclusivamente para a internet, começa a atrair autores consagrados e com uma longa história de publicação em editoras convencionais. A globalização, ao nível da publicação digital, tem possibilitado que escritores iniciantes vendam os seus livros ao lado de autores que já venderam milhões de livros, como Nicolas Sparks, Lesley Pearse, Ken Follet entre muitos outros.
Nos EUA, a escritora amadora Amanda Hocking, de 27 anos, chegou à marca de 1,5 milhão de e-books vendidos no site da Amazon. o que levou Amanda a vender os seus livros na internet foi a rejeição das editoras convencionais. Há dois anos sem dinheiro, e decepcionada com as respostas negativas aos seus livros de monstros e vampiros, Amanda pegou numa das suas obras e a colocou à venda na Amazon, chegando à marca de 150 mil exemplares em apenas seis semanas.
Há sempre vozes dissonantes em relação à publicação em formato digital, no entanto creio que esse processo ainda não enfraqueceu as vendas em papel. As editoras que possibilitam ao autor independente, publicar em ebook , também publicam em papel, sob demanda, ou seja, o livro só é impresso quando a encomenda é feita. Quer isso dizer que quem gosta de sentir um livro em papel – eu ainda não dispenso o livro em papel, embora venda mais ebooks – pode escolher entre os dois formatos.
Outros problemas têm-se colocado ainda em relação aos autores independentes, relacionados com as críticas sob a qualidade do autor independente, por não existir um crivo (revisor, editor… ) que aprecie esse trabalho. Quanto a isso podem ficar descansados pois o que não presta não vende e tem críticas negativas. O autor independente vive muito da apreciação que os leitores deixam nos sites de venda, e podem acreditar que são extremamente verdadeiros sob o que leram, não hesitando em deixar críticas negativas se não gostarem, afinal o leitor pagou pelo livro; o que não acontece com os autores convencionais, pois a não ser que algum crítico literário faça uma apreciação, ninguém sabe o que pensam daquela obra em particular, senão ao fim de algum tempo. 
Em meio aos prós e contras desse negócio, não se pode negar a mudança nos hábitos de leitura e escrita que ele representa. O florescimento das publicações on-line pode ser um caminho possível diante das restrições de mercado e da recusa em as editoras apostarem em novos autores. Se tem um livro escrito e acha que tem qualidade para publicar, as hipóteses são imensas, e basta fazer uma pesquisa na internet que descobre várias plataformas onde pode publicar de graça. Pode publicar na amazon (com várias lojas pelo mundo) e pode inscrever-se de forma gratuita na Createspace.com, em inglês mas com a ajuda do Google tradutor é fácil de usar, e tem uma possibilidade muito interessante de publicar em papel, ou na Kindle (também da amazon) também muito fácil de usar. Se publicar na Createspace quando colocar o seu livro em papel, o sistema converte-o automaticamente para ebook com vista a publicar na Kindle. A minha experiencia com a amazon tem sido muito positiva.
Existe ainda a Kobo.com, a Google Play, a Bubok em Portugal (vou iniciar a minha publicação nesta plataforma portuguesa) a Lulu.com, e muitas outras grátis. Claro que todas elas têm serviços editoriais que o escritor usa se quiser. Se souber ou tiver quem lhe faça as capas, sempre o mais complicado (pessoalmente criei um estilo de capa com a ajuda de um designer) não precisa contratar os serviços das plataformas. Noutro post iremos falar sobre o processo de publicação detalhadamente.


sábado, 20 de dezembro de 2014

Estruturar o livro

Imagem retirada da internet

Nem todos os escritores têm necessidade de estruturar o livro servindo-se de um Plot (esquema dos acontecimentos do livro, linha orientadora) e planeando os capítulos passo a passo. Há quem inicie a escrita seguindo apenas a ideia que desenvolveu e, ao longo do livro vá deixando fluir as ideias para no final chegar onde pretende. Outros planeiam cuidadosamente capítulo a capítulo. Não há uma forma certa. Cada escritor faz da forma que se sente mais confortável. Já usei as duas formas e achei a primeira muito difícil de seguir. Se estivesse sem escrever um dia tinha que voltar a rever tudo de novo, perdia-me facilmente. Actualmente é impensável não planear o livro com cuidado, com Plot, capítulos e dois finais possíveis.  
O que é um Plot?
Plot é um conjunto de acções interligadas e que dizem respeito a um personagem que tem um conflito (interno ou externo) e que precisa atingir um objectivo para o resolver. Esse conflito pode ser simples ou mais difícil e que necessite da acção de vários personagens que ao longo do livro entram e interacção com a personagem principal. Quanto mais difícil for resolver o conflito mais interessante se torna a obra.   

Em primeiro lugar começo por definir a ideia subjacente ao livro. Depois as personagens e os cenários onde decorrem (faço uma biografia para cada personagem, mesmo que sejam secundários) e no início do livro apresento-os um a um sem revelar muito. Com cerca de um terço do livro escrito (20.000 palavras) há um ponto de viragem em que o conflito fica no auge. Dependendo da história, até esse ponto a história cresce e apresenta os diversos problemas e, quando atinge o climax, inicia um decrescendo em que a trama principal do livro começa a resolver-se até ao final. Mas, outras situações podem acontecer e, nomeadamente existirem diversos pontos de viragem ao longo da história, o que torna a trama mais interessante. Voltando à estruturação do livro, depois do plot definido (uso uma folha A3 onde faço o esquema com personagens e cenários) e essa folha fica pregada num placard em frente à minha mesa de trabalho. Depois escrevo a biografia dos personagens. Nada muito exaustivo, mas que contenha características físicas e psicológicas que ao longo do livro sejam possíveis de mudar à medida que o personagem cresce. Depois, com a orientação do plot esquematizo os capítulos com as diversas cenas a escrever. Quanto aos cenários também faço uma pesquisa muito exaustiva. No livro “Brincos de Princesa” não foi necessário, conheço bem todos os cenários onde a acção decorreu, e o mesmo se passou com “Sonhos Adiados”. Convém descrever os cenários com veracidade e, se não conhecer pesquise bastante, a internet é uma boa fonte de recolha de informação, pode usar a Google Earth para pesquisar os cenários físicos. Finalizado este trabalho que também leva algum tempo inicio a escrita dos capítulos e sigo o esquema dos capítulos e das cenas, podendo deixar de escrever a qualquer momento, e retomar sem me enganar na informação. Bom trabalho.  

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

E. Lockhart- Quando éramos mentirosos

Confesso que o que me motivou a pegar neste livro foi o título, que achei deveras curioso. Foi uma leitura que não foi fácil ao início. Mas como sou persistente continuei, e ao fim de algumas páginas fiquei completamente embrenhada com esta família abastada (que tem uma ilha privada) mas com segredos e contornos relacionais estranhos. Um avô preocupado com as heranças, um pai manipulador e as mulheres adultas da família vivendo uma rivalidade entre elas. O que inicialmente parecia um conto juvenil transformou-se numa narrativa adulta e com sofrimento. O facto de a narradora ter sofrido uma pancada na cabeça deixa-nos na dúvida sobre a veracidade dos acontecimentos, mas no final a surpresa é total, não esperava. Talvez por defeito de profissão (mas não só), sou apaixonada por histórias de vida, e este livro fala de encontros, desencontros e mudanças, de objectos e objectivos, no fundo, aquilo que traduz a passagem de todos nós pela adolescência.

 Um livro diferente, pleno de mistério, mas que teve a capacidade de me transportar para dentro do enredo. Não conhecia a autora, mas vou ficar atenta a outras publicações. Vale a pena ler pela singularidade da escrita e do enredo. Recomendo. 

E. Lockhart é o pseudónimo de Emily Jenkins. A autora é doutorada em literatura inglesa pela Universidade de Colúmbia e ensina escrita criativa. É autora de várias obras.