domingo, 20 de agosto de 2017

Excerto do livro " A DOÇURA DA NOITE"



Excerto do livro " A DOÇURA DA NOITE", o meu próximo lançamento, ainda sem data definida. Um livro que aborda as perversões narcísicas.  

"Carlos Borges tinha toda a simetria necessária, feições másculas e músculos definidos, tudo o que o sexo oposto admirava. Mas, no entanto, estas maravilhas escondiam uma mente dominada por um preconceito venenoso: um desdém pelas mulheres, profundo e real, que ia além de tudo o que podia ser considerado saudável. Era um preconceito formado desde a sua meninice e os longos anos de abandono materno. Nenhuma mulher que fitasse aqueles olhos negros adivinhava os sentimentos de hostilidade que eles ocultavam; pelo contrário a maioria ficava com uma impressão de sensualidade, cavalheirismo e uma promessa de amor compreensivo e de protecção a qualquer preço"
 
BREVE EXPLICAÇÃO TEÓRICA SOBRE AS PERVERSÕES NARCISICAS
O que são perversões narcisicas?

O que define uma perversão narcísica? Clinicamente, o que é um indivíduo perverso? Uma perversão pode ser entendida como uma perturbação crónica do comportamento sexual, em que a expressão de uma “pulsão perversa”, de natureza agressiva, é condição necessária para que o sujeito atinja a excitação sexual e o orgasmo. De outra forma, não sente qualquer prazer, pois o prazer não está ligado aos afectos (ao amor), às relações humanas ou à intimidade. Podemos talvez dizer que, no mundo interno do sujeito, a sexualidade e a agressividade (ódio) estão “confundidas”, estando essas experiências sexuais muito aquém daquilo que é verdadeiramente uma sexualidade adulta.

Uma das características básicas do perverso é a ausência de consideração pelo outro. Este só serve ao perverso para descarga (sexual e agressiva). Esta instrumentalização/desumanização do outro implica não tomar em conta a sua vontade e o seu desejo; aliás, quanto mais o perverso desvia o outro das suas práticas habituais, mais gratificante se torna o acto. Assim, para uma grande percentagem dos perversos narcísicos, a sexualidade é um acto solitário, maioritariamente masturbatório, já que, incapaz de vivenciar a intimidade, não existe a ligação ao outro. Fazem amor consigo próprios.

Verifica-se com frequência que, na história do perverso, entre mãe e criança o vínculo foi agressivo, e não de amor. Diz-se que a perversão é a patologia do ódio, porque o vínculo com o objecto primário é um vínculo de ódio. A perversão é uma forma erótica de ódio, em que o meio utilizado para descarregar esse ódio é a humilhação e agressão do outro (representando esses comportamentos o ódio inconsciente ao objecto materno). Para além disto, há no perverso uma ferida narcísica (ou seja, inconscientemente, o sujeito não se ama a si mesmo, sentindo-se inferior) fundamental para a compreensão desta patologia. Tendo por base um vínculo de ódio, a relação básica entre mãe e filho falhou e este foi maciçamente desnarcisado – foi rejeitado/mal-amado. Essa desvalorização primária (em tenra idade) a que foi exposto faz com que o perverso, enquanto adulto, humilhe o outro, vingando-se pelo ataque como forma de reconstruir o seu próprio narcisismo.


Alguma vez lhe aconteceu ter uma relação amorosa que se iniciou como um conto de fadas, em que a outra parte parecia ser encantador(a), sedutor(a), saído de um conto de fadas?

Passado algum tempo, passa a ser uma relação marcada por conflitos, em que se sentia atacada(o) e afectada(o) na sua auto-estima, sem motivo aparente, e caso ripostasse, sofresse o “tratamento silencioso” em que a outra parte, não respondia aos seus apelos à sua ansiedade e necessidades, e que aos poucos se sentia como se fosse menos que lixo?

Possivelmente estava numa relação com uma pessoa com transtorno de personalidade perverso narcísico. 

Quando se fala num D. Juan ( D. Juan de Sevilha), como sendo alguém muito atento e galanteador com as mulheres, na verdade está-se a falar de um perverso narcisico. Pode saber mais sobre o D. Juanismo aqui. 


Na actualidade podemos falar de um D. Juanismo de saias também. Existem mulheres com comportamentos de sedução tal como os homens, motivadas pelo ódio, e não pelo amor. 

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