segunda-feira, 10 de julho de 2017

Próximo lançamento - A Doçura da Noite

"Sara olhou para a cicatriz, quase invisível, graças ao óleo de rosa mosqueta, e tapou-o com o body de renda preta. Era a sua primeira saída depois daquela noite em que tinha recorrido às urgências. A noite em que o industrial alemão lhe tinha infligido um corte com uma adaga minúscula na nádega, para que ela jamais o esquecesse - dissera-lhe num inglês com forte sotaque, depois de ela rejeitar ser espancada - a única forma que excitava o homem. Sara enganara-se na escolha daquela noite. O homem era um estupor sádico e de sedutor não tinha absolutamente nada.  
Olhou-se ao espelho e estava tudo certo e no sítio. Cabelo louro em ondas largas a cair-lhe pelas costas, boca e olhos pintados magistralmente e umas pernas longas, torneadas a terminarem nos sapatos pretos de salto alto. Ninguém diria que era a tímida Sara Ataíde, designer, especialista em capas de livros, para uma das maiores editoras do país. Muitas das capas que via nas montras das livrarias no género literatura e ficção, era de sua autoria.   
Sorriu para a sua imagem reflectida no espelho.
 Agarrou a bolsa pequena e as chaves do carro e saiu pelo elevador até à garagem onde estava o seu Audi A6, aquele que só usava nas saídas nocturnas quando se transformava numa mulher sofisticada capaz de arrasar na noite com qualquer homem menos precavido e carente de amor, e tornar-se numa depravada, sem pudor, que, para além do prazer que obtinha, ainda se fazia pagar bem.
 Odiava homens. Sara não tinha qualquer preocupação em dar prazer aos homens que acompanhava, o seu propósito era satisfazer-se a si e, se por qualquer razão eles reclamavam, deixava-os e afastava-se com desdém. O mesmo desdém com que vira o pai tratar a mãe." 

Um excerto do próximo romance a ser lançado lá para finais de Setembro. Gostaria muito que comentassem. O que é que sentiram ao ler este breve trecho?

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