terça-feira, 18 de julho de 2017

CONFIA EM MIM - OPINIÃO


Mais uma vez, Lesley Pearse deu-nos uma obra onde é possível perceber o calvário de milhares de crianças inglesas que foram deportadas para orfanatos australianos - e noutros países - vivendo as maiores provações que uma criança pode viver: afastamento da família, falta de afecto, maus tratos físicos, psicológicos e sexuais. A autora retrata essas vivências, através da história de Dulcie e May, duas irmãs, filhas de um condenado, que foram afastadas do pai sem autorização do mesmo. Ao longo do livro passei por momentos de raiva, incredulidade, e de impotência perante as descrições. A intensidade com que Lesley descreve as suas personagens e as situações vividas, coloca-nos lá, no tempo dos acontecimentos conseguindo entender o sofrimento daquelas crianças. O livro não é para "espíritos fracos", mas vale a pena ler, pois é uma lição de história que não deve ser esquecida para que não volte a repetir-se.

Avaliado em 5***** no Goodreads, por mim. 

Imagens retiradas da web 
"De acordo com o Programa de Imigração Infantil, encerrado há apenas quatro décadas, a Grã-Bretanha enviou crianças pobres para uma "vida melhor" na Austrália, Canadá, Nova Zelândia, África do Sul e Zimbábue (antiga Rodésia).

HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO INFANTIL NA GRÃ-BRETANHA

A Grã-Bretanha é o único país com um histórico prolongado de imigração infantil - foram mais de cinco séculos
Em 1618, 100 crianças foram enviadas de Londres para Richmond, na Virginia, EUA
Um total de 130 mil foram enviadas para o Canadá, Nova Zelândia, África do Sul, Zimbábue (antiga Rodésia) e Austrália
No pós-guerra, 7 mil foram enviadas para a Austrália e 1.300 para a Nova Zelândia, Rodésia e Canadá
Muitas das crianças já estavam aos cuidados de instituições públicas após terem sido retiradas de suas famílias pelo Estado ou abandonadas pelos pais.

Forçadas a embarcar nos navios que as levariam para a Austrália, muitas das crianças ouviam das autoridades que seus pais estavam mortos - o que, em grande parte dos casos, não era verdade.

A maior parte dos pais não sabia que seus filhos, alguns com apenas três anos de idade, haviam sido enviados para a Austrália.

Agências de assistência trabalhavam com o governo para enviar crianças carentes para um futuro risonho e suprir o que na época era considerado "bom sangue branco" para uma antiga colónia.

Margaret Humphreys, fundadora do Child Migrants Trust, entidade que oferece assistência às vítimas da política de imigração forçada, viajou da Grã-Bretanha para a Austrália para ouvir o pedido de desculpas do premiê australiano.

"Temos feito campanha há 20 anos por um reconhecimento desse tipo e com essa seriedade".

"Este é um momento significativo na história da imigração infantil. O reconhecimento é vital para que as pessoas se recuperem".

Fonte : http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2009/11/091116_australia_childmigrants_mv.shtml



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