terça-feira, 9 de maio de 2017

A Doçura da Noite - excerto


(...)Sara olhou para a cicatriz quase invisível, graças ao óleo de rosa mosqueta, e tapou-a com o body de renda preta. Era a sua primeira saída depois daquela noite em que tinha recorrido às urgências e escapara por milagre a uma denuncia de violência doméstica. A noite em que o industrial alemão lhe tinha infligido um corte com uma adaga minúscula na nádega, para que ela jamais o esquecesse, dissera-lhe num inglês com forte sotaque, estava ainda muito presente no seu espírito. Sara admitia que se enganara na escolha daquela noite. O homem era um estupor sádico e de sedutor não tinha absolutamente nada.  
Olhou-se ao espelho e estava tudo certo e no sítio. Cabelo em ondas largas a cair-lhe pelas costas, boca e olhos pintados magistralmente, e umas pernas longas, torneadas a terminarem nos sapatos pretos de salto alto. Ninguém diria que era a tímida Sara Ataíde, designer, especialista em capas de livros, para uma das maiores editoras do país.
Sorriu para a sua imagem refletida no espelho.
 Agarrou a bolsa pequena e as chaves do carro e desceu pelo elevador até à garagem onde estava o seu Audi A6, aquele que só usava nas saídas nocturnas quando se transformava numa mulher sofisticada capaz de arrasar na noite com qualquer homem menos precavido e carente de amor e tornar-se numa depravada, sem pudor, que, para além do prazer que obtinha com os homens, ainda se fazia pagar muito bem.(...) 

Deixo-vos em excerto do próximo livro. Gostava que deixassem opiniões, sugestões e todos os comentários construtivos que quiserem. 

O que vos faz pensar este pequeno texto?


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