quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Excerto do livro - Helena #3

Apresentando Helena

Sorriu, recomposta e menos vermelha. Irritava-se consigo própria de corar por quase tudo, mas ultimamente até com os pensamentos enrubescia.
- Caro barão… obrigado pelo elogio. Espero estar à altura do trabalho que me propôs.
- Tenho a certeza  que estará, cara Helena. Mas vamos…- e pegou-lhe pelo cotovelo encaminhando-a para a porta do palacete, onde o motorista já os esperava. – No carro explico-lhe, como a vou apresentar às pessoas. Espero que não tenha nada a opor. – disse ele com a voz rouca de desejo mal disfarçado por ela.
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Cerca de uma hora depois, Helena entrava de braço dado na residência oficial do cônsul inglês, onde decorria a recepção aos adidos diplomáticos dos países representados em Lisboa.
- Senhor Alex Steel Paterson, barão de Paterson e sua noiva, senhorita Helena Silva.
Um burburinho soou pelo enorme salão e ouviu-se o roçagar de sedas e crepes. Todas as cabeças – menos uma – se voltaram para eles assim que entraram.
- Está a ver minha querida…foi muito bem recebida. Agora vamos passar à etapa seguinte: as apresentações e, depois disso, vamos dançar algumas vezes. O resto fica por sua conta. Quanto estiver em apuros, é só abanar o seu lencinho, vou estar atento. Mas tenho a certeza que irá sair-se muito bem. – disse num sotaque arrastado, a que Helena achava muita graça, enquanto ele lhe beijava a mão.
Arrastou-a suavemente pelo salão perfumado enquanto fazia as apresentações. Helena foi experimentando todo o tipo de sensações, desde a mais prezerosa, até ao pânico puro, mas tentou aguentar-se sem sair a correr porta fora. Nunca foi mulher de baixar a guarda em situações complicadas e, habituou-se a defender-se nos salões da madrinha Catarina apesar da fragilidade da sua situação. Esta, era talvez, a única possibilidade de se vingar da rejeição que a sociedade lhe fazia desde que Catarina Santana a tinha obrigado a servir-lhe de ama de companhia nos  seus salões.
- Desconfortável?- segredou-lhe ao ouvido.
- Nem por isso, aguento. Podemos prosseguir.
Até ali já recebera uns cumprimentos com sorrisos de dentes cerrados, de amigas da madrinha que conhecia desde criança, mas, a maioria – sobretudo os estrangeiros – estavam rendidos ao seu encanto e beleza.
Uma verdadeira beleza. Exclamavam os homens uns para os outros, gabando o bom gosto do barão.
- Agora vou apresentá-la à pessoa mais dissimulada deste salão. – e aproximou-se de uma figura alta de cabelo branco que conversava animadamente com um senhor alto e louro, num alemão muito fluente.
O homem avistou Alex e imediatamente tocou no braço da senhora indicando-lhe que se virasse na direcção deles e Helena bateu os olhos em alguém que já esperava encontrar ali.
- A senhora condessa, Carminda Vilhena, a minha noiva Helena. – apresentou-as.
Helena não se denunciou e Alex admirou-lhe os nervos de aço. Mas também Carminda manteve a farsa e fingiu não conhecer Helena.
 Num jogo de espiões todos se esforçavam por não se trair e, Carminda, estava longe de imaginar quem era na verdade Alex Steel, apesar de há algum tempo suspeitar que ele era também um opositor ao regime nazi.  
- Seu maroto!- e a condessa deu-lhe uma palmadinha gentil no braço. - Onde tinha esta beleza guardada? Que jovem maravilhosa… Minha querida! Você é um assombro de beleza, mas desculpe que lhe diga aqui o seu – hesitou com um ar de malícia no olhar- noivo, não lhe fica atrás, como diria uma italiana é um belo huomo. Hans, meu caro – e dirigiu-se ao senhor de meia-idade com quem conversava – vou desfilar com esta beldade por este salão. Alex, não me contrarie. – admoestou.
Carminda, mais maquilhada do que o habitual, para esconder as rugas que teimavam em sair da pele, pegou na mão de Helena, sem lhe dar qualquer hipótese de recusa e afastou-se com ela salão dentro.  
Helena sentiu o coração aos pulos. Reconhecera a voz do corredor do bordel: Carminda.


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