domingo, 2 de outubro de 2016

Coisas de mãe e de escritora


Quando se é mãe de um adolescente, despende-se longas horas de volta das lojas de roupa, não é verdade?  Haja paciência!  E pensava eu, que por já ter sido mãe de uma rapariga, já não ia passar por isso de novo. Engano meu! Tenho um filho e uma filha que gostam de "roupa", e pronto, o que é que eu posso fazer? Nada. A irmã mais velha, contagiou o irmão mais novo e já não há nada a fazer, senão dizer-lhe que só gasta X. Resignada, uma ou duas vezes por estação, lá vou eu a caminho de um centro comercial - «adoro» a papelaria Bertrand e os Bifes à Portugália, de já devem ter adivinhado porquê - , fazer um périplo pelas lojas de roupa, até porque de estação para estação do ano, sobram braços e pernas, e faltam mangas e pernas de calças. 
Pronto!
 Ontem foi assim.
 Um dia de estafa!
Mas que raio quer ela dizer com esta conversa? Perguntam vocês? Como sabem, também sou psicóloga, e de vez em quando fico atenta às pessoas fora do consultório, porque fora dessas horas, quero ser uma cidadã comum, daquelas que se estão marimbando se as pessoas tem relações/interacções, patológicas ou não! Se algum dia encontrarem um psicólogo que viva, respire e durma com a psicologia, fujam! Essa pessoa é mais doente que quem o procura. Portanto, como vêem, acima de tudo sou uma pessoa muito normal, seja lá isso o que for e fiquem descansados, estou muito bem resolvida para estar com os meus pacientes, com quem tenho uma relação especial com todos eles. 
Voltando à história do post, digo-vos que o meu filho tem doze anos, mas já quer ser homem e, sobretudo fica muito irritado quando o tratamos como criança. Tem toda a razão e, eu e o pai, estamos a fazer um esforço, para não o «envergonhar» com as nossas manifestações de amor.
Então, estava eu e o meu filho numa das lojas, eu à espera e ele  a escolher roupa, junto aos provadores e, o rapaz entra no provador e diz-me « mãe, não espreites, nem entres», ao qual eu prometi solenemente não o fazer. Mas, eis que à porta - salvo seja, porque era uma cortina de pano - , do outro provador, estava um senhora mais ou menos da minha idade, sentada e, enquanto esperávamos, ela olhou para mim e sorriu. Sorri-lhe também e disse-lhe:
- Coisa de mães!- como quem diz « de vez em quando lá temos que nos submeter a esta tortura».
Ela não respondeu, sorriu e continuou sentada em frente da dita cortina, de pano duro e preto, num banco retirado de dentro do provador e, dali a pouco, depois de eu estender a mão para dentro do provador, levando camisolas e recolhendo, eis que a senhora me disse:
- Ali - e apontou - estão umas camisolas muito giras, mas estão escondidas, pelas outras, quase não se vêem, foi O MEU MENINO QUE AS VIU.
Agradeci-lhe, retirei uma do expositor e enfiei-a para dentro do provador. « Fixe mãe, gosto mesmo dessa». Que bom!- pensei. Tinha uma dor nos pés de calcorrear o centro comercial, que Deus me acuda!
E eis que olho para o provador ao lado e lá de dentro sai um MATULÃO, com mais de 1,80 M, e uns cem quilos de peso, com a linda idade de mais ou menos vinte e tal anos. QUE RICO MENINO DA MAMÃ! 
E digam lá se isto não são pérolas para a alma, e uma inspiração para uma escritora?! O mundo lá fora é uma inspiração, ai se é!

*A imagem retirada de Pixabay é meramente ilustrativa 

Sem comentários: