domingo, 24 de julho de 2016

O impacto das avaliações na mente do autor auto-publicado


Os autores independentes têm uma relação de amor / ódio com as avaliações dos seus livros. Os comentários dos leitores melhoram a popularidade de um livro, e colocam-no nos lugares cimeiros da amazon, mas também podem ser destrutivos.

 Quanto mais avaliações, mais popularidade, e mais hipóteses das vendas aumentarem. Todos os autores querem mais comentários, mas nem sempre gostam do que está escrito. Paradoxal, não é?
Os comentários podem acabar com qualquer auto-estima na escrita e, quem estaria a dar os primeiros passos pode desistir à primeira.

E aqui está o centro da questão, os autores devem-se preocupar com o número de comentários (cá entre nós só 1% dos leitores avaliam os livros depois de os lerem), e não com o conteúdo dos mesmos. O conteúdo dos comentários é para ajudar os leitores a decidirem pela compra, não é para os escritores. É claro que os comentários podem ser prejudiciais aos autores, mas acredite que, algumas críticas abaixo de 3 estrelas, quando todas são de 4 e 5, não prejudicam as vendas, sobretudo, se esse avaliador só dá avaliações negativas. Espreite os comentários do avaliador que lhe deu 2 ou 1 estrela e foi muito crítico e não se surpreenda se quase todas as avaliações desse avaliador forem negativas. É o típico destruidor. Por norma lêem algumas páginas dos livros e correm a deixar a sua prenda ao autor. Felizmente, a maioria dos avaliadores são muito honestos, mesmo quando têm que apontar alguns defeitos aos livros.

Os autores auto publicados deveriam ler bastante sobre a experiência dos outros colegas, e como reagir aos comentários, antes de terem o seu primeiro embate negativo. Nunca, mas nunca, responda a um leitor que lhe deixou uma avaliação péssima. Ignore-o, porque, responder aos comentários negativos na amazon, é considerado ofensivo, mesmo que o leitor só esteja a tentar prejudicar o seu livro. Os outros leitores encarregam-se de desfazer a imagem que esse leitor tenta passar. Acredite que a maioria dos avaliadores e leitores são honestos nas críticas. Não se esqueça que não se pode agradar a “gregos e troianos”.

Não leia os comentários. Foque-se em escrever, e em apresentar um material cuidado na apresentação e na escrita. Ou então, leia só os comentários positivos. Mas, se decidir ler todos os comentários, saiba que é muito difícil superar de um comentário destrutivo. Claro que é mais fácil dizer do que fazer, eu própria leio todos os comentários, mas já aprendi a lidar com as críticas. A mim, incentivam-me a melhorar. Só uma vez tive que lidar com um comentário destrutivo – muito destrutivo – num dos meus livros traduzidos. Garanto-lhes que a experiência não foi agradável. 

O autor auto publicado, nos primeiros anos em que publica, está muito exposto às críticas e, basta um comentário para o imobilizar e parar de escrever. Não faça isso. Continue a escrever. O «perito» que avaliou o seu livro, provavelmente esqueceu-se de dizer que não é o género de livro de que gosta e por isso avaliou de forma negativa, ou então é alguém que não tem a sua coragem. Quanto uma crítica é pouco favorável mas justa, merecida, não dói tanto. Afinal você reconhece que podia ter revisado o seu texto com mais cuidado, ou que devia ter verificado os buracos na trama, nome dos personagens etc.

Todos os autores auto publicados verificam o ranking dos seus livros e os comentários, quase diariamente, eles são o alimento, a força motriz, que nos fazem escrever histórias e publicá-las. E porque fazemos isso? Porque buscamos saber se o leitor percebeu aquele livro, se entendeu o sentido da história ou a mensagem. Procuramos a empatia do leitor e é para esse leitor que passamos a escrever.  
 Nenhum autor auto publicado pensa que o próximo livro que lançar, será um best-seller, vai revolucionar o mundo da escrita, e será irrepreensível na estrutura, enredo, personagens e história original. Não. Ele tem noção que é mais um entre centenas. Mas é o seu. Tem valor por isso.
A maioria dos autores auto publicados, como eu, escreve livros de entretenimento, pelo simples prazer de escrever, e também para se libertar das histórias que nascem na sua mente. No fundo é o que todos os escritores fazem, seja qual for o género em que escrevem, a diferença, é que os autores auto publicados estão mais expostos. Quem tem uma editora por trás, até agora, não tinha que lidar com comentários, no entanto, as editoras passaram a ter representatividade online e submeteram os seus autores à crítica do leitor, no mesmo sistema que a amazon, portanto, se tiver paciência consulte uma livraria online e vai ver que até os consagrados tem críticas desfavoráveis.
Aconteça o que acontecer, escreva sempre sobre o que gosta, nunca sobre aquilo que pensa que irá agradar. Esse tipo de escrita sai forçada, e sem alma.

Continue a escrever e até ao próximo post.  
A partir do dia 27 de Julho, acompanhe-nos no Instangram, em viagem pelo Egipto. 






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