sexta-feira, 18 de março de 2016

PROMOÇÃO GRÁTIS DE EBOOK - 20 DE MARÇO


"No Bairro Alto, Lorena aprontava-se para a sua estreia no ofício. Camila ajudava-a a vestir-se e ela relembrava mentalmente todos os truques que Sílvia lhe ensinara. Primeiro cumprimentava o homem e elogiava-o nos seus dotes de macho vistoso. Não percebia o que um homem de setenta anos podia ter de vistoso para uma rapariga de vinte, mas tinha que cumprir com o papel cínico, sob pena de irritar Rosa e passar mais dois dias fechada no quarto. Depois dirige-se à mesa de apoio onde deverá estar uma garrafa de cognac e serve os dois copos deitando o líquido miraculoso no copo dele. Tinha que estar muito atenta para não se enganar e esperar uns minutos até o homem começar a vacilar e adormecer. Quando desse por isso a noite já passara e com um pouco de sorte sem que ele lhe tocasse.
- Ai! Camila! Queres arrancar-me o cabelo?
- Quieta! Só estou a apanhá-lo, é mais prático e seguro. Assim ele não te agarra pelo cabelo. Se soubesses as coisas que eles fazem!
- Para de me assustar. Daqui a pouco quem toma a porcaria do láudano sou eu. – ameaçou.- Está bom assim. – disse ao observar o cabelo ao espelho.
A porta abriu-se e madame Rosa surgiu com aquele olhar cínico e guloso. Agora tinha a certeza que a mulher jogava no mesmo clube que Sílvia e Marlene. Era uma daquelas que odiavam homens.
- Está na hora. O juiz já subiu. Vamos. – ordenou sem qualquer complacência ou palavras doces.
Camila piscou-lhe o olho deu-lhe uma palmadinha afectuosa na mão.
- Estás linda querida. Digna de um príncipe que um dia vai chegar. 
Lorena ia responder que já não acreditava em príncipes mas a mão de aço de Rosa apertou-lhe o braço fazendo-a gemer e direccionou-a à porta.
Mais depressa se teria atirado na boca do inferno se de repente o diabo a viesse buscar. Iam por terra todos os seus sonhos românticos acerca do amor, dos homens e do casamento.
Subiu a escada de granito do antigo palacete até ao quarto andar- que na verdade não eram mais que as águas furtadas do prédio- transformado numa suite de luxo com um propósito apenas: proporcionar privacidade aos clientes. O local era tão afastado do resto da casa que se gritasse, ninguém a ouviria por entre aquelas paredes de mais de sessenta centimetros de espessura. O palacete deveria ter sobrevivido ao terramoto de 1755 e foi recuperado ao longo do tempo. Hoje era uma estrutura sólida e luxuosa.  "

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