segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Reflexões sobre a autopublicação


Aprendi muito neste ano e meio de auto-publicação mas, se tivesse que explicar em poucas palavras o que significou para mim este processo, escolhia as palavras compromisso e dedicação. Compromisso em escrever todos os dias nem que fossem poucas linhas, e dedicação para continuar a estudar escrita criativa muito humildemente. Publiquei o meu primeiro livro em Junho de 2014 e desesperei durante uns tempos por não obter qualquer sinal de vendas. Mas não cruzei os braços. Desde Junho de 2014 até final de 2015 publiquei oito romances e três livros da área da psicologia. Os meus livros não começaram a vender de imediato mas quando tomei esta decisão decidi que iria esperar algum tempo até encontrar o meu nicho de leitores. E aconteceu. O milagre aconteceu. Tenho leitores que não conheço e que voltam para comprar outros livros meus e, leitoras que deixam comentários no blogue acerca dos meus livros. Esse foi sem dúvida o maior elogio que recebi desde que escrevo, para além da classificação atribuída aos meus livros (entre quatro e cinco estrelas), pelos leitores e avaliadores da amazon.
De vez em quando lêem-se notícias de autores que publicaram apenas um livro e se tornaram best-sellers de um dia para o outro. Pois bem, isso raramente acontece, seja com autores de editoras convencionais, seja com auto-publicação. Só consegue vender livros se escrever um atrás do outro e continuar a publicar. Se os leitores gostarem da sua escrita voltam para comprar mais livros seus.
Gastei bastante tempo a pesquisar sobre publicação independente e aprendi imenso com outros autores que felizmente partilham o que sabem – nesta guerra, não temos que ser inimigos, mas aliados – e outro tanto com tentativas e erros. Hoje posso dizer que quase domino as técnicas e truques de publicação na amazon, mas ainda tenho muito que aprender.
O que é que aprendi durante o primeiro ano de auto-publicação?
·         Que não basta ter apenas um livro escrito para vender muito na amazon. Alguns especialistas em publicação independente (publicação indie) dizem que é preciso ter pelo menos cinco livros no mercado para ver algum lucro. É verdade. O que traz mais leitores (além de gostarem do que escreve) é mais livros escritos.
·         Não vale a pena escrever por modas, escrevo o que gosto, mesmo sabendo que os meus livros nunca agradariam a um editor convencional. Para mim basta que agradem aos meus leitores.
·         Que é possível estar no TOP de vendas ao lado dos gigantes sem ter uma editora por trás.
·         Que sou a minha própria editora (criei o selo Sopa de Letras Edições – selo independente), revisora, capista, directora de marketing e mulher de negócios. Sim, a auto-publicação é um negócio que cresce exponencialmente à medida que escreve mais livros. Há autores independentes que apenas vivem das suas publicações. Não é o meu caso, porque tenho outra profissão que adoro, mas considero-me compensada pelo esforço, com apenas poucos livros.
·         Que é preciso continuar a cuidar do marketing dos livros: mudar capas de vez em quando, mudar as categorias na amazon, escolher palavras-chave mais adequadas e jogar com os preços dos livros.
·         Que é preciso continuar a aperfeiçoar a escrita.
·         Que não se pode agradar a todos os leitores e que alguns são destrutivos, dizem mal do livro pelo prazer de o fazer e não conseguem fazer críticas construtivas para ajudar o escritor a melhorar. Felizmente isso nunca aconteceu comigo, mas já li bastantes criticas que visam apenas destruir o trabalho dos escritores.
·         Que escrever é o que mais amo, depois da minha família.
·         Que os escritores independentes são multifacetados. Fazem tudo o que diz respeito à escrita e publicação e ainda aprendem a vender livros.
·         Que este negócio está ao alcance de qualquer um goste de escrever e o faça com qualidade.
·         Que traduzir um livro pode não ser uma boa aposta quando não se tem a certeza da qualidade do trabalho do tradutor. Comigo aconteceu traduzir dois livros, pagar, e ficar com um péssimo trabalho. 
·         Que publicar em várias plataformas de auto-publicação é muito trabalhoso. Por isso optei pela amazon, mais simples, intuitiva e com os valores mais altos em Royaltis, e que apenas 1% dos leitores avalia os livros que leu.  
·         Que há pessoas boas neste mundo da auto-publicação. Obrigado Cristina Pereyra, Estórias da Marja (Lisandra) e Rebeca S. Melo pelos ensinamentos, e Eldes Saullo, Fernanda França, Ilana Lessa, Carina Souza e Gonçalo Coelho e Sandra Casaca pelo incentivo, e por último, mas mas não menos importantes, aos leitores que continuam a comprar os meus livros todos os dias e que deixam os seus comentários na amazon.  

O meu próximo livro a ser publicado QUERIDO ESPIÃO, é um romance passado em 1941, na confusão de uma Lisboa repleta de refugiados de guerra e espiões de todos os campos beligerantes. É uma história de amor incomum que fala de injustiças humanas, traição, vingança e costumes de uma sociedade moralista e hipócrita.

Até ao próximo post. 

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