sábado, 4 de julho de 2015

Promoção de "Jardins de Luar" em ebook ( Grátis)


Excerto do livro

Com cautela entrou no edifício escuro a cheirar a cavalo. Inácio, um dos moços da estrebaria apareceu na porta quando ouviu o som das botas na pedra do chão. Tirou o chapéu em sinal de respeito e disse:
- Menina Isabel em que posso servi-la? – os seus olhos riam-se sempre que a via.
Inácio tinha sonhos molhados com Isabel desde que ela fora viver para o Solar de Santa Maria.
- Há algum cavalo que eu possa montar? Não o faço há muito anos e gostava de experimentar de novo, mas um que seja manso. –confessou.
- Oh diacho menina! Os cavalos do conde são todos ariscos.- disse para lhe meter medo e fazer-se de valente.
 – Olhe que eu sou um bom cavaleiro e já me atiraram ao chão algumas vezes. – vangloriou-se.
- Que tal o “Arisco”? – disse uma voz grave e ligeiramente rouca atrás de si.
Manuel Afonso dera pela presença dela assim que entrou dentro da cavalariça. Cada vez estava mais intrigado. Quem era esta rapariga? A madre superiora não lhe contou toda a história dela quase de certeza. Por educação não queria perguntar, mas algo lhe dizia que havia um segredo. Inácio fez uma vénia com o chapéu de pele de vaca curtida e ficou mudo e embasbacado a admirar a beleza da rapariga. 
- Estava eu a dizer que lhe podes preparar o Arisco. Parece que a menina Isabel me vai acompanhar hoje.
Ficou perplexa e sem saber que dizer. Não queria ir com ele. Queria ir sozinha e andar livremente pelo campo.
- Perdão…não era minha intenção…só queria experimentar… se ainda sei montar. – disse aos solavancos e muito corada.– Não quero incomodar vossa senhoria.  
-  Nada melhor que a minha companhia para testar as suas habilidades. No caso de falha estarei lá para a apanhar. Não seria a primeira vez.

Começou a reconhecer o sentido de humor mordaz na alusão às quedas dela. 



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