sábado, 17 de janeiro de 2015

Escolha dos cenários

Foto da autora ( Maiorca)
Quando pensamos num livro, pensamos nos cenários, porque ao ler, o leitor faz uma viagem também. Quantos livros já leram que vos proporcionaram viagens de sonho, mesmo nunca tendo estado nos sitios descritos pelo autor?

Os cenários, tal como os personagens marcam o livro e ficam gravados na nossa memória. A memória é selectiva e guarda a informação pela importância que tem para a pessoa. Se eu gostar de determinado país, absorvo tudo o que oiço ou leio sobre ele. Se me vierem com uma descrição de um quadro abstracto, pois de certeza que não vou reter nada, porque simplesmente não aprecio. Nos cenários das cenas dos livros é a mesma coisa. Uma vez uma leitora do Wattpad disse-me que a forma como eu descrevi o Dubai prendeu-a até ao fim do livro. Conheço o Emirado pelo que apenas conduzi os leitores pelos sítios através dos meus olhos. É assim que os escritores fazem. Elisabeth Adler é magistral na forma como o faz, todos os livros dela contêm belos cenários que nos fazem sonhar.

 Lembro-me do livro de Lesley Pearse, Segue o coração e da descrição que ela fez da pradaria do norte da américa, no trilho do Oregon, das montanhas e do rio e ainda as revejo mentalmente como na época em que li o livro.

Mas como é que escolhemos os cenários? Simples. A internet é uma óptima ferramenta para escolher cenários, bem como a experiência do escritor. Pessoalmente gosto de usar os lugares e países que conheço, para localizar os meus romances. Vou dar-vos o exemplo do meu próximo livro no qual estou a trabalhar ainda o Plot e o desenvolvimento da história, personagens e organização do romance por capítulos. Precisava de um sítio descontraído e fora de Portugal (escolhi Maiorca, ilha que conheço bem) e de uma casa antiga em Maiorca que pudesse utilizar para as cenas do livro. Recorri à internet e seleccionei uma casa com 150 anos, recuperada, e que está à venda. Gravei as imagens para poder usar quando fizer a descrição das cenas. Claro que se mantém sempre o anonimato quando ao imóvel, para evitar confusões com os proprietários, ou, caso tenhamos a autorização, quem sabe até se os proprietários vão ficar orgulhosos de terem a sua casa a servir de cenário para um livro. Cada escritor encontra a melhor forma de conseguir os seus cenários, mas acreditem que todos o fazem. Podemos sempre imaginar um cenário, mas se não se trata de um livro de fantasia, convém não inventar cenários pouco reais, isso descredibiliza o livro e o escritor. Força nesses dedos e boa escrita.   

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