terça-feira, 4 de novembro de 2014

Excerto de Jardins de Luar

A imagem foi retirada da internet e é meramente ilustrativa, nada tem a ver com o livro. 

(...)Entrou no quarto como um animal com o cio que é afastado à força da fêmea. Se pudesse dava gritos de desespero. O que é que aquela rapariga tinha que estava a dar-lhe cabo do juízo? Era culta, sabia manter uma conversa, um corpo que deixava qualquer homem maluco – até o cigano a cobiçara- e devia ser virgem pelo que deduziu do pedido da madre superiora. Rogou-lhe que a respeitasse porque a sorte dela com a família não tinha sido a melhor.
No Brasil conhecera algumas sinhazinhas filhas de fazendeiros, que seriam boas esposas, mas não conseguiu amar nenhuma. Queria casar com a mulher que amasse, algo que nunca confessara a ninguém. Os pais nunca se amaram e hoje, é com vergonha que assiste à vida dupla do pai que se deita com as escravas de casa quase na frente da mãe. Esse foi um dos motivos pelo qual se ofereceu para trazer Teresa para o continente. Não suportava a falta de respeito do pai pela mãe, para além do que lhe fizera há alguns anos.  
O fresco da noite esfriou-lhe a cabeça quando se sentou na varanda. Sentia vergonha do que fez há pouco, mas quando a sentia mais perto ou roçava um braço ou uma perna, ou mesmo uma mão nela, ficava atesoado e, vê-la nua foi a gota de água. Restava-lhe olhar de longe e admirar aquela beleza simples mas cheia de vida. Isabel seria a mulher que escolhia se ela fosse da nobreza. Chegou a pensar que era alguma filha ilegítima de um nobre. A forma educada e culta com que se apresentava, enganavam qualquer um. A rapariga tinha um mistério a rodeá-la e desconfiava que a madre superiora tinha ocultado informação, quanto à sua proveniência. (...) 


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