sábado, 25 de outubro de 2014

Escrita criativa - ideias e temas.

Os romances têm inícios breves e os enredos não saltam para a mente completamente delineados. Para despoletar a imaginação é necessário ter uma ideia que garanta uma história possível de desenvolver. Vou dar como exemplo, uma ideia que me surgiu ontem. Por associação de pensamentos sobre um determinado caso, achei que determinado personagem, teria consistência para desenvolver mais uma história de vida, que descrevesse as emoções e a forma como cada um se organiza perante a vida e os desafios que ela lhe coloca. Peguei no meu caderninho - que me acompanha sempre - e, delineei o tema, as duas personagens principais e a ideia do que queria transmitir. Nada me surgiu por acaso, foi baseado em algo que ouvi e, achei que podia dar um romance. Ficou registado para projectos futuros. 

Este processo de escolha de temas ou ideias é completamente subjectivo: o que prende a atenção de uma pessoa, pode deixar a outra completamente indiferente. Dou o exemplo dos dois romances que publiquei neste ano. O primeiro, "Gabrielle", é baseado numa história de vida e no meu entender, algo de desperta a atenção das pessoas. Apesar de ter mais avaliações positivas, não têm tido a mesma procura que o outro. Porquê? Porque leva a pensamentos mais profundos e dolorosos, porque é um drama e porque fala de uma criança. O outro " Brincos de Princesa", mais leve, contemporâneo, cujo acção começa no Dubai, é muito mais procurado e as vendas são o triplo do primeiro. Portanto, as escolhas de temas e o processo de seleção é pessoal, depende dos interessas de cada um. 

PRIMEIRAS IDEIAS
A maioria das ideais vêm de muitas fontes e revelam-se ao autor na sua vida quotidiana, na rua, no centro comercial, na praia, em viagem - o meu caso- , nas diversas profissões que os autores possam ter para além da escrita...eis algumas das fontes mais vulgares das primeiras ideias:

Relações humanas - as pessoas têm que viver umas com as outras e este facto pode trazer uma panóplia de situações causadoras de stress entre os membros de uma familia, vizinhos, amigos, casais, filhos...Os diferentes modos de vida, personalidades e educações diferentes, gostos, ambições, aversões, doenças, desamores, convições religiosas, diferenças culturais, tudo serve para criar uma ideias. O conflito e a agressividade fazem parte da natureza humana e, no romance dá uma possibilidade a tender par o infinito na criação de personagens.  

Conversas ouvidas por acaso - fragmentos de conversas, escutar às portas abertas por descuido, fragmentos de conversas apanhadas na rua, no autocarro, artigos de opinião...tudo serve, dependendo do autor. 

Acontecimentos da vida real - as noticias dos jornais são uma boa fonte de informação para quem gosta de escrever sobre casos reais, crimes, incesto, roubos, tudo, transformado devidamente pode dar uma boa história. 

Experiências pessoais - todos os escritores, escrevem sobre o que conhecem, ou seja, sobre as suas experiências. Quando lemos um livro estamos a encontrar-os, de alguma forma, com o escritor. É impossível escrever sobre o que não é conhecido. Pode-se ( e deve-se) fazer pesquisa, mas se não existir conhecimento sobre a vida é impossível escrever sobre a matéria. 

Acontecimentos do passado - há sempre qualquer coisa que vem do passado, do próprio ou do outro e que pode ser projectado na actualidade. Ninguém pode escapar às influencias do passado, foi ele que possibilitou a chegada ao presente e, à sua sombra, chegará ao futuro. Outro passado que têm sido matéria de muitos romances é o passado histórico. Vidas de nobres e reis romanceadas tem dados excelentes livros. O meu ultimo livro " Jardins de Luar" é baseado num passado histórico de passagem de tradição oral - histórias, lendas e costumes, que ouvi  falar aos meus avós - ao qual acrescentei um par romântico, mas na realidade fala duma época da vida do Alentejo em que ainda existem traços na biologia humana, nas populações actuais. Estou a falar no cruzamento de brancos do alentejo com escravos negros. 

Lugares - as paisagens, os bosques, os rios, os jardins e, principalmente as casas transportam-nos muito para além do que os olhos vêem. Pessoalmente recolho muita informação em passeios e viagens que faço pelo mundo. 

Fonte ( Guia técnico de Escrita Criativa de Isabel Lambot) 

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